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          NUS PERANTE MILHÕES

   Nuas por alguns milhões. Nuas perante milhões. A linda moça disse que vendeu 1,5 milhões de cópias. Triunfo da beleza. Triunfo do marketing. Exaltação do estético. Quem comprou queria ver ao menos a imagem da mulher que nunca poderá ter perto de si.

   A moça que briga pelo direito de mostrar-se mais na praia, na faculdade e na televisão sem ser punida e o casal que teimou em caminhar totalmente nu pela praia desafiaram um costume. Em nosso país o costume é o de caminhar vestidos de maneira adequada, em público e em casa. Um juiz tem o direito de proibir que um casal ande em roupa diante dos filhos e filhas, ou que receba as visitas sem roupas.

   Os costumes de um povo impõem limites. Cristãos, judeus e muçulmanos, budistas e hinduístas consideram o corpo sagrado. Expô-lo demais e para qualquer um é ofensa e transgressão. A nudez pode até ser bonita, mas não é decente ostentá-la diante de quem não quer vê-la. Também é questionável a venda do corpo, como se vendê-lo fosse o mesmo que vender um objeto bonito, que não é a pessoa. Acontece que enquanto estivermos vivos somos também nosso corpo.

   Por isso, a Igreja impõe limites para a nudez. O mundo parece não aceitá-los mais.  Mais cedo ou mais tarde veremos as suas conseqüências. Há mistérios na pessoa humana. O corpo é um deles. Tratá-lo como se fosse um colar, uma faixa ou uma pulseira que se exibe pode ser nefasto.

   Perguntada sobre seu passado, o que ela não repetiria se voltasse atrás, uma jovem senhora que duas vezes posara nua para revista masculina disse que aquilo de ter se desnudado em fotos para milhões de pessoas a incomodava. Depois dos vinte e cinco anos, o amor e o casamento lhe trouxeram outra dimensão do corpo e da sexualidade. Os filhos, agora jovens, a compreendem, mas se ele pudesse viver de novo, não mais se desnudaria para olhos desconhecidos. A vaidade, o dinheiro e o marketing a haviam seduzido. O matrimônio e a maternidade a fizeram ver que o corpo humano é sagrado. Não se o descortina a qualquer um.

    À outra entrevistada que achou aquilo um retrocesso, disse ela:- Opinião também é sagrada. Eu respeito a sua. Agradeceria se respeitasse a minha!

 

Fonte: Pe. Zezinho, scj




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